Coringa é um personagem pragmático. Para ele, existem algumas regras inquebráveis. O cinema também tem dessas. E a principal lei que você não pode se esquecer: não confie em trailers.

Esquadrão Suicida estreou nesta quinta-feira (04) com todo o hype de um grande filme de super-heróis. Muito buzz nas redes sociais, salas de cinema lotadas… Claro, boa parte disso se deve pela presença do icônico e já citado personagem Coringa (Jared Leto) no longa-metragem. Pelos trailers exibidos, a expectativa sobre o palhaço do caos era enorme. Será que teríamos um antagonista tão bom quanto o interpretado por Heath Ledger, tido pela crítica como o melhor de todos os tempos? A escolha de Leto para viver o criminoso foi acertiva? Sem contar toda a famosa massa de vilões que enfrentarão Batman, eventualmente.

O filme tinha tudo para ser empolgante, pois contava com personagens ótimos. Só que o fraco roteiro não decolou, deixando uma narrativa arrastada e que, raramente, gera alguma emoção no filme. Durante os 20 minutos iniciais, o filme se mostra até que interessante. Temos flashbacks que explicam como os vilões se juntaram e uma bela abordagem na formação da equipe: Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Magia (Cara Delavingne), Crocodilo (Adewale Akinnuyoe-Agbaje), El Diablo (Jay Hernandez) e Amarra (Adam Beach). Liderados por Rick Flag (Joel Kinnaman), a missão tida como suicida surge para diminuir as penas de cada um. Ideia perfeita, certo?

Seria, se o roteiro ajudasse. Nós já falamos isso, né?

Aquele ali é o roteirista? Deixa comigo!

esquadrão suicida

O Esquadrão

Amanda Waller (Viola Davis) reúne os violões e, a todo momento, mostra que ele estão sob total controle. Só que isso é pouco para quem é a cabeça da equipe. Por muitas vezes ela some do enredo e, quando aparece em alguma cena, temos aquela sensação de “ah, essa mulher ainda está no filme?”. Uma pena, pois a bela atriz merecia mais espaço, principalmente pelo excelente trabalho que executa quando está atuando.

 

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O pistoleiro é o líder do grupo. Um assassino de aluguel que está no filme para um papel de redenção. Algumas piadas boas, outras nem tanto, algumas cenas bem legais, outras bem infelizes. E, assim, Will Smith tem uma participação “ok”, apenas isso.

Calma! Arlequina e Coringa virão mais abaixo.

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Capitão Bumerangue é um personagem fraco das HQs, mas ganha relevância no filme. Bem humorado e louco,  consegue mandar tiradas sempre no tempo certo. As interações dele com todos os personagens são sempre bem equilibradas, principalmente com Katana.

Um dos vilões mais legais do universo do Batman é o Crocodilo, um monstro que vive dentro do esgoto do asilo Arkham e totalmente descontrolado. O mesmo não se repete neste filme. Esse que poderia ser um ótimo vilão, nada mais é do que um alívio cômico super-forte, que raramente acerta o timing da piada. Nem medo dele você sente, é frustrante.

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Arlequina e Coringa             

Arlequina, perfeita! Apesar do filme ter defeitos quase na totalidade, a personagem de Margot Robbie não. A atriz encontrou a essência do que é Arlequina, uma mulher marcada por traumas, que faz dela uma vilã imprevisível, alternando a sanidade com uma loucura real. É interessante ver isso em tela, deixando uma excelente figura para os filmes vindouros do Batman.

Agora, o Coringa… Jared Leto não faz uma atuação ruim, mas diríamos estranha. Coringa tem momentos psicóticos e completamente desequilibrado durante o filme. Porém, a relação de “amor” com Arlequina é, como dissemos, estranha. O palhaço não sente feição emocional por ninguém, somente pelo caos. E mostrar importância por alguém é totalmente confusa. Em entrevista, Jared Leto disse que esse “amor” do Coringa pela Arlequina é igual à relação do criador pela criatura.

Quero acreditar nisso, e não que ele goste mesmo da Arlequina. O Coringa gosta de ver o circo pegar fogo e, principalmente, atormentar a vida do Batman. O próprio Leto disse que muitas cenas dele foram cortadas, vamos acreditar que foi apenas um problema de montagem. Outro que quero ver no filme do Batman e saber que realmente é esse Coringa.

Por fim

Esquadrão Suicida deixa a desejar, mas ainda é um filme ok. Você não vai jogar dinheiro fora, mas pode ser que se decepcione. Meses atrás foram divulgados dois filmes testes, um do diretor e o que foi para o cinema. Pode ser que o do diretor seja melhor, não foi ao cinema por ser muito “pesado” e pela nova linha que a Warner/DC quer seguir no cinema. Mas tanto a Warner quanto a DC precisam acertar quem é que faz o filme, se é o diretor ou o estúdio. Ficar mudando tudo em cima da hora com medo de criticas só vai fazer com que seus filmes sejam essa confusão.

Direção: David Ayer

Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Jai Courtney, Cara Delavingne, Adewale Akinnuyoe-Agbaje, Jay Hernandez, Adam Beach, Joel Kinnaman, Jared Leto e Viola Davis.

Duração: 2h10