Legalização de maconha no Uruguai, erva medicinal nos EUA, coffee shops em Amsterdam. Até onde cabe espaço para o debate livre sobre consumo de drogas e combate à criminalidade e ao tráfico de entorpecentes?

Quando você pensava que os supracitados coffee shops em Amsterdam (Holanda) eram o máximo da evolução no tema, eis que um grupo político de jovens democratas liberais holandeses se firmam como gamechangers: eles acabaram de “abrir” a primeira loja no mundo dedicada ao ecstasy. Calma, isso não significa que qualquer um pôde passar por lá e tomar uma “bala”.

Na verdade, nenhum ecstasy sequer foi vendido. A iniciativa, lançada na última segunda-feira (18) não durou mais do que 24 horas e teve como intuito apenas debater a legalização da substância, uma vez que os Países Baixos são notoriamente um pólo mundial do cenário musical eletrônico, ambiente em que este tipo de psicotrópico é popularmente consumido.

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/ Legalização do ecstasy

Com um cartaz escrito “A regulamentação é melhor do que deixar a distruibuição da droga para os traficantes e para as ruas”, os organizadores esclareciam aos curiosos e preocupados com o tema que estiverem presentes. No site do movimento, o grupo explica que, por meio da legalização do ecstasy, é possível evitar que menores de idade comprem a droga, garantir que não ocorram overdoses de consumo e ainda minimizar qualquer risco vinculado ao uso de MDMA.

O próximo passo é, segundo os organizadores, reunir cerca de 40 mil assinaturas para levar o debate do consumo de ecstasy ao parlamento holandês. A iniciativa também levou em consideração o fato de que, no ano passado, três pessoas morreram por overdose de MDMA em um festival de música eletrônica na Holanda.

“Nós não queremos virar o rosto e afirmar que a repressão é a melhor saída porque não é”, disse Milan Assies, relações públicas do grupo político. “Se olharmos os índices de consumo de maconha, a Holanda é – de longe – o país com menos usuários. Isso significa que legalizar não faz com que as pessoas usem a droga, mas sim que a criminalização diminui e mantém as crianças longe do perigo”, completa.