Se você tem filhos sabe que julho é um mês em que eles passam muito tempo em casa, por conta das férias escolares. Por esse motivo, as despesas acabam aumentando, não só com alimentação, mas com passeios, programas culturais e até viagens para não deixá-los entediados. Então, que tal aproveitar esse momento para educá-los financeiramente com a mesada?

“Uma ótima ferramenta, sem dúvida, é a mesada, pois, com ela, os pequenos já aprendem a administrar o dinheiro desde cedo”, explica Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira, autor de diversos livros sobre finanças.

LEIA TAMBÉM: Crise financeira precisa ser explicada para crianças

Por mais que você tenha reticências em relação a isso, Domingos assegura que, a partir dos oito anos, a criança já entende bem e está mais familiarizada com o assunto. Prova disso é o projeto Educação Financeira nas Escolas, executado em parceria com a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação e o Grupo de Apoio Pedagógico do Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef). Segundo a Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil), até o fim de 2015, 2.962 escolas públicas de ensino médio terão acesso à essa formação.

/ Mesada para crianças

Se você ainda não dá mesada, o primeiro passo é definir um valor. “Minha recomendação é que, ao longo de um mês, sem que a criança saiba, registre toda e qualquer quantia que ela precise, incluindo gastos com lanche escolar, passeios, compra de jogos e brinquedos, etc”, sugere Domingos. Sabendo do total, chame-a para uma conversa e explique que, por já estar crescendo, chegou o momento de ela mesma controlar o próprio dinheiro e, por esse motivo, receberá, a partir de agora, uma mesada. O valor será 50% daquele total dado a ela ao longo do mês. Na conversa, explique que ela deve se organizar para que o dinheiro não acabe muito antes de receber a outra mesada, pois vocês não darão nenhuma quantia a mais. “Pode parecer rude, mas é assim que ela aprenderá a se planejar”, tranquiliza o especialista.

Estimule também seu filho a sonhar com os objetivos dela. “Peça que relacione três sonhos que tenha, um de curto prazo (até três meses), um de médio (até seis meses) e outro de longo (acima de seis meses). Dessa forma, aprende a ser menos imediatista e que deve poupar para realizar sonhos.”

O educador financeiro sugere que você fale da existência daquela outra metade do dinheiro. Lembra dela? Diga que, por ele ser um ótimo filho, você resolveu ajudar na realização daqueles sonhos pré-estabelcidos e fará uma poupança para ele, colocando o mesmo valor da mesada. “Se tiver mais de um filho, para cada um deles, a decisão do valor e a conversa deve ser feito individualmente, adequando à realidade de cada um”, indica.

E lembrem-se: não é correto associar o recebimento da mesada ao desempenho escolar, pois as crianças não podem achar que só precisam estudar para receber dinheiro no final do mês. Mostre a seu filho a importância de priorizar os próprios desejos e faça-os entender que, para realizá-los, será sempre necessário guardar parte do dinheiro que passa pelas mãos.