Existem diversos fatores e partículas que podem desencadear processos alérgicos, desde ácaros, mofos, fungos e pólen, passando pela ingestão ou pelo simples contato com determinados alimentos e medicamentos. Chamadas de alérgenos, algumas substâncias físicas, químicas ou biológicas provocam uma resposta exagerada do sistema imunológico, gerando uma verdadeira “guerra” no combate a estes organismos. E o estresse, que já afeta 90% da população ao redor do planeta segundo pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS), é outro grande causador das incômodas reações alérgicas.

De acordo com um estudo realizado pelo Departamento de Alergia e Imunologia da Universidade de Mississippi (EUA), indivíduos estressados têm mais chances de desenvolver quadros alérgicos quando comparados a pessoas com cotidianos mais tranquilos, principalmente processos de asma e alergias dermatológicas. Isso está relacionado à produção de alguns hormônios durante eventos estressantes. Atualmente, só no Brasil, as doenças alérgicas já afetam 35% da população (cerca de 70 milhões de pessoas), conforme dados do Ministério da Saúde.

“No caso da asma, por exemplo, o estresse tem a capacidade de alterar a resposta anti-inflamatória produzida por nossas vias respiratórias para combater esta alergia, aumentando a intensidade, a gravidade e a duração dos sintomas da doença”, diz Marcello Bossois,  médico coordenador técnico do Brasil Sem Alergia, projeto social que oferece variados procedimentos de prevenção, combate e controle de processos alérgicos e de doenças ligadas ao sistema imunológico. Para ele, o estresse é um importante gatilho para a asma, pois sentimentos como medo, preocupação e ansiedade atuam no organismo intensificando as crises de quem já tem predisposição à doença. “Durante eventos estressantes, a pessoa tende a produzir substâncias que resultam em um perigoso processo de broncoconstrição, atrapalhando a entrada de ar nos pulmões”, acrescenta Bossois, que também integra o Departamento de Genética da Universidade de Laval (Canadá).

No mundo, cerca de 300 milhões de pessoas, incluindo crianças, sofrem com asma, com base em levantamentos da OMS. Aqui, no Brasil, um estudo recente do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que esta alergia atinge 6,4 milhões de pessoas acima de 18 anos, das quais quase 40% são homens. Entre outros fatores, as mulheres têm maior probabilidade de apresentar quadros de asma, de acordo com pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio (EUA) em função de seus hormônios sexuais. De 20% a 40% das mulheres em idade reprodutiva com asma comentam que seus sintomas se intensificam durante o período pré-menstrual ou menstrual, momento caracterizado por picos de estresse e intensas oscilações emocionais.

Mas entre as doenças alérgicas não é apenas a asma que se torna mais presente após períodos de maior exposição ao estresse. As alergias dermatológicas, que neste caso são chamadas de pssicodermatose, também têm uma participação significativa de processos químicos decorrentes de acontecimentos desagradáveis do cotidiano. “Assim como ocorre nas vias respiratórias no caso da asma, a pele reage a hormônios, como a adrenalina e o cortisol, liberados pelo organismo em maior escala durante situações mais estressantes”, explica a médica alergista Patrícia Schlinkert. “Como resultado desta reação, o organismo produz histamina, citosinas e outras substâncias na corrente sanguínea, causando coceira, inchaço e outros sintomas clássicos de alergias dermatológicas como urticárias e eczemas”, conclui.

Existem, por outro lado, determinados hormônios e substâncias que podem ser muito benéficos no tratamento das alergias desencadeadas ou mesmo potencializadas pelo estresse. “Além da endorfina e da serotonina, que são neurohormônios relaxantes produzidos durante a administração da técnica terapêutica, o método é capaz de regular a produção de cortisol, diminuindo os sintomas”, observa  Carla Simone médica acupunturista. Carla defende a eficácia da acupuntura como um recurso terapêutico capaz de diminuir ou até acabar com as crises alérgicas, inclusive com o aval da OMS.