Um estudo revelou que a falta de vitamina D pode dificultar o controle da glicemia (açúcar do sangue) em indivíduos com diabetes. É o que explica Myrna Campagnoli, endocrinologista do Delboni Medicina Diagnóstica, uma das responsáveis pela pesquisa. Segundo ela, os casos de insuficiência e deficiência de vitamina D vêm aumentando significativamente nos últimos anos. “Muitos estudos vêm demonstrando uma forte associação entre os níveis de vitamina D e fatores de risco metabólico, como diabetes e obesidade”, detalha a especialista.

 

Diabetes e vitamina D

A médica revela que o baixo nível de vitamina D pode causar resistência a glicose, alteração da secreção de insulina e, consequentemente, ao diabetes mellitus do tipo 2. Nos pacientes já diabéticos, a insuficiência pode dificultar o controle glicêmico. Ela ainda diz que o motivo para isso acontecer é que existem receptores de vitamina D em várias células e tecidos do nosso corpo, inclusive nas células do pâncreas que produzem a insulina e nos músculos. A falta de vitamina D pode dificultar a produção e liberação da insulina, bem como atrapalhar a utilização periférica do açúcar, interferindo no controle da glicose.

 

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Segundo a médica, o levantamento de dados foi feito com 253 pacientes entre setembro e dezembro de 2014. “Medimos o nível de vitamina D, glicemia e insulina. Detectamos que 66,3% dos pacientes diabéticos apresentavam reduzido nível de vitamina D. Já entre os indivíduos com pior controle glicêmico, 90% deles apresentavam hipovitaminose D”, confirma.

Myrna explica que a resistência à ação da insulina pode ser mensurada pelo cálculo do HOMA-IR, que é um índice entre os níveis de glicemia de jejum e insulina de jejum. “Neste estudo observamos que os baixos níveis de Vitamina D predispõem a uma maior resistência insulínica”, descreve.

As mortes ocasionadas pelo diabetes mellitus chegam a 3,2 milhões por ano no mundo. “Se a glicose não é controlada e permanece em níveis altos durante muito tempo, aumentam as chances do surgimento das complicações da doença: problemas cardíacos, dos rins, cegueira e amputação de membros são as mais comuns”, relata a especialista.

Para reverter o quadro, Myrna diz que o controle rigoroso da glicose reduz significativamente a chance destas complicações, porém, é negligenciado por muitos pacientes. “A mudança de hábitos de vida é uma exigência do controle da doença e requer disciplina e persistência, mas uma vez incorporada à rotina diária torna-se mais simples e o paciente passa a ter uma qualidade de vida excelente. A busca constante por informações sobre o DM deve ser feita pelo paciente e o médico deve ser consultado periodicamente”, afirma.