O hábito de fumar pode dobrar o risco do câncer de próstata voltar após a realização de cirurgia, segundo um novo estudo da Hospital Universitário de Basel (Suíça). Essa é uma nova análise que confirma resultados adquiridos em outras pesquisas que apontam que o tabagismo aumenta significativamente o risco de recorrência do câncer após o tratamento inicial.

Os pesquisadores acompanharam aproximadamente 7 200 homens após eles retirarem a próstata por causa do câncer. Dos entrevistados, um terço era fumante, um terço já havia fumado e um terço nunca fumou.

Ao longo dos 28 meses de estudo, a equipe de pesquisadores descobriu que os fumantes e pacientes que só pararam de fumar nos últimos 10 anos tinham duas vezes mais probabilidade de ter o retorno do câncer do que aqueles que nunca fumaram.  Já aqueles que pararam de fumar há mais de 10 anos têm um risco menor de recorrência do câncer.

O estudo, que foi apresentado no encontro anual da Associação Europeia de Urologia em Madrid (Espanha), avalia que a mortalidade por câncer de próstata varia muito em toda a Europa.  O tabagismo é provavelmente um dos fatores que contribui para essa diferença de mortalidade por esse tipo de câncer.

Essa é mais uma boa razão para as pessoas não fumarem, ainda mais com o fato de que o risco cai após 10 anos sem fumar, o que significa que qualquer pessoa que tenha câncer de próstata deva deixar imediatamente o vício.

A conclusão a que os pesquisadores chegaram foi que um terço dos pacientes com câncer de próstata que teve a sua próstata removida em cirurgia, teve recorrência do câncer em 10 anos.

“Este estudo demonstra que apesar da grande importância de parar de fumar para toda população, os homens que tiveram câncer de próstata terão mais um motivo para esta difícil tarefa. O câncer de próstata pode recidivar mesmo quando diagnosticado e tratado precocemente, portanto a prevenção dos fatores predisponentes para recorrência deve ser reforçada e cada vez mais valorizada”, alerta Daher Chade, urologista do Instituto do Câncer de São Paulo e do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.