A partir de hoje, iniciamos um especial semanal voltado para a ciência do sono. Nessa primeira parte, você confere tudo o que acontece com seu corpo quando você aproveita suas noites de outra maneira.  Durma bem!

O sono é uma função imprescindível do organismo para manutenção da saúde do corpo e da mente. Ele é importante para o desenvolvimento normal do cérebro e para os processos de memória e aprendizado. Até aí, tudo bem. Mas o que acontece quando você vai trabalhar virado depois daquela balada de semana? Ou emenda uma festa na outra, deixando o cochilo para outra hora?

Se você dorme mal ou dorme pouco, normalmente têm seu desempenho físico e mental alterado, como explica Carolina Elena Carmona de Oliveira, fisioterapeuta da marca de colchões Duoflex, especialista em medicina do sono. “Indivíduos que dormem pouco desenvolvem distúrbios cognitivos como déficit de atenção, memória, concentração e acabam tendo sonolência diurna excessiva, que pode indicar acidente vascular cerebral, esclerose múltipla ou narcolepsia”, explica. Uma noite ruim afeta a capacidade de aprendizado, além de reduzir a velocidade de reação. “A memória é fixada durante o sono. É nessa hora que ocorre a secreção de substâncias como a serotonina e a noradrenalina que, se privadas, podem levar a transtornos de humor e de ansiedade”, complementa.

Os problemas de sono podem funcionar como um aviso para o desenvolvimento de doenças neurológicas futuras. Segundo estudos da Universidade de Toronto (Canadá), o distúrbio comportamental do sono REM (repeat eyes movement) fase do sono em que ocorrem os sonhos – pode ser um pré-sintoma de enfermidades como o Alzheimer e o Mal de Parkinson, pois o cérebro permanece em intensa atividade, aumentando a frequência cardíaca e respiratória. De acordo com os pesquisadores, a doença de Alzheimer afeta primeiro as células do cérebro que controlam o sono REM; em seguida, se espalha para outras áreas degenerativas. No caso do Mal de Parkinson, o sono é considerado um antecessor da doença, pois o transtorno é de difícil diagnóstico. “É importante ressaltar que sofrer do distúrbio comportamental do sono REM não é uma sentença de desenvolvimento de problemas neurológicos, mas a condição serve de alerta e deve ser acompanhada”, pontua a fisioterapeuta.

Confira abaixo como a privação do sono pode afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e longo prazo:

1/ Curto prazo – Pode ocasionar dias com desconcentração, lapsos de memória, cansaço físico, dores de cabeça e baixo rendimento nas atividades cotidianas. “Durante o sono as memórias do dia anterior são organizadas e consolidadas. Além disso, ocorrem os preparativos para as atividades do dia seguinte, tanto física como mentalmente”, explica Carolina.

2/ Médio prazo – Aumento do risco de inúmeras doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, obesidade, depressão e ansiedade. “Isso ocorre por excesso de liberação de cortisol e adrenalina (hormônios do stress), aliada à redução da liberação de leptina (hormônio da saciedade) e do GH (hormônio do crescimento). Quem deixa de descansar não repara os tecidos do corpo e sobrecarrega o organismo como um todo”, comenta a especialista.

3/ Longo prazo – Envelhecimento precoce, elevando o risco de infarto, derrame cerebral e predisposição de doenças degenerativas, como o Alzheimer.