Raridades em qualquer lugar do mundo, não só pela cor do cabelo, os ruivos naturais representam apenas entre 1% e 2% da população mundial. Se você é um deles, sinta-se privilegiado. Mas, além da aparência, quem carrega essa diferença genética também sofre com algumas desvantagens, como suscetibilidade maior a algumas doenças de pele.

/O fator ‘R’
Para que uma pessoa seja ruiva é necessário que os genes dos pais dela, responsáveis pela expressão de determinadas características, contenham as variações nos dois alelos, ou seja, no gene paterno e materno. Essas variantes que ocorrem na sequência do DNA fazem com que seja produzida uma quantidade semelhante de eumelanina – que define a cor preta a marrom – e de feomelanina – que determina a cor vermelha a amarela dos fios, resultando na pele clara e cabelo vermelho, características denominadas de rutilismo. É complicado, nós sabemos.

Por conta disso, é preciso redobrar alguns cuidados, pois mesmo que sem exposição constante e direta ao sol, os indivíduos que possuem a alteração nesse gene – MC1R (Melanocortina -1), um dos elementos determinantes da cor do cabelo – têm mais chances de desenvolverem melanoma – o tipo mais perigoso de câncer de pele.

Segundo Mirlene Cernach, médica geneticista do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, essa diferença genética traz maior susceptibilidade a algumas doenças. “Os ruivos tem menor proteção da pele às radiações e, portanto, são mais suscetíveis às neoplasias, que são tumores que crescem na pele. Algumas mutações genéticas em outros genes que determinam doenças podem apresentar como sinal os cabelos vermelhos, mas constituem doenças raras”, explica a médica.

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Isso ocorre por conta da alteração da feomelanina – a variação de melanina vermelha em pessoas ruivas – que pode estar associada à mutações de genes que atuam evitando o crescimento de células cancerígenas. Essas mutações podem ser causadas pela radiação solar.

Um efeito colateral dessa variação é o surgimento de sardas, que são consequência do aumento de concentração de melanina em certas partes do corpo. Mas, quem disse que essas pequenas manchas são características apenas de pessoas ruivas? No caso de outras pessoas, que não possuem a variação genética, as pintas são uma resposta da pele à agressão do sol e surgem justamente para bloquear a penetração dos raios solares.

Mirlene ainda conta que, por muito tempo, acreditou-se que os ruivos possuíam, além da aparência, características diferentes dos outros, como maior sensibilidade a dor; mas, isso não é algo que pode ser afirmado nos dias atuais. “Alguns relatos iniciais sugeriam que os ruivos teriam maior sensibilidade à dor e necessidade de maior quantidade de anestésicos para procedimentos cirúrgicos e odontológicos. No entanto, publicações recentes, resultantes de estudos científicos, mostraram que essas afirmações não foram confirmadas”. A médica ainda alerta que, apesar de tudo isso, eles não podem ser considerados mutações genéticas, mas sim produtos de variações.

Por toda essa predisposição para problemas com a pele, os ruivos precisam evitar o excesso de exposição ao sol e nunca se esquecerem dos cuidados com a cútis como passar o protetor solar de fator no mínimo 30, e reaplicar quando necessário. Além disso, é preciso consultar um dermatologista com frequência, principalmente se for identificado alterações na textura e coloração da pele, como pintas ou manchas.