Você deve ter ouvido falar (e até sentido um certo alívio, admita) sobre “dad body”. Nada mais é do que uma tentativa de tornar cool um de nossos inimigos quase invisíveis: a barriga.

Claro, nós sabemos que manter o corpo saudável tornou-se uma tarefa difícil com trabalho, estudos, família… Inclusive, segundo pesquisa do Ministério da Saúde, 40% dos brasileiros estão acima do peso. E adivinhe qual é a terceira maior causa de problemas de saúde? Isso mesmo, a obesidade.

Em todo o mundo, o custo anual da obesidade chega a US$ 2 trilhões – 2,8% da economia global. No Brasil, os gastos com o combate ao problema representam 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB). E você ainda acha que sair por aí com um corpo saudável é frescura? Então, role o mouse e entenda por que esse tal “dad body” não é bacana e também não é para você.

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/ Entenda sua gordura

Existem dois tipos de gordura abdominal: a subcutânea, aquela que fica na frente dos músculos abdominais e impede que você ostente um abdome sarado e a visceral, que se acumula entre as alças intestinais e órgãos internos como o fígado. Ambas apresentam riscos a saúde, mas estudos comprovam que a visceral é a mais perigosa.

De acordo com Fúlvio Barbato Junior, cardiologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão, em São Paulo, esses quadros aumentam os riscos de doenças como a diabetes, por exemplo. “A gordura é associada a alto nível de triglicerídeos, baixo índice do bom colesterol (HDL), resistência à ação da insulina e consequente Diabetes”, diz. “E não para por aí: tem também o aumento da gordura hepática, prejudicando a formação de hormônios, vitaminas e substâncias que atuam no metabolismo das gorduras e hipertensão arterial como consequência do aumento da viscosidade do sangue são exemplos do que esta gordura pode causar no organismo.”

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Desta forma, o acúmulo de gordura visceral é considerado um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares como o infarto do miocárdio e o AVC, porque o excesso de gorduras circulantes promovem o espessamento das artérias, com formação de placas de gordura que podem se desprender e obstruir os vasos, esclarece o especialista. Ou seja, nada de dad body!

Para saber se a gordura abdominal está comprometendo sua saúde, o cardiologista dá uma orientação. “Meça sua cintura com uma fita métrica. O ideal é que não ultrapasse 102 cm. Caso exceda, existe um risco para desenvolver os males relacionados a este tipo de gordura, e é indicado ficar alerta e buscar a redução por meio de dieta e exercícios.” Para uma análise completa, a medida do tecido adiposo visceral pode ser medida por métodos de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, porém esses métodos tem um custo elevado, “A medida pela fita métrica calculada no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca é um método simples e confiável”, explica o médico.

/ Com vocês, a Síndrome Metabólica

Você sequer ouviu falar sobre isso? Ela também é conhecida como síndrome “X” ou síndrome da resistência à insulina. É definida pela associação de fatores de risco relacionadas a deficiência na produção de insulina e concomitante alteração nos índices de glicemia (glicose no sangue) considerados como normais. Segundo a OMS, 64% dos homens em todo o mundo sofrem de síndrome “X”.

A principal base da Síndrome Metabólica se desenvolve na obesidade, especialmente obesidade visceral, que leva o organismo a deixar de responder à ação da insulina. Como consequência, aumenta o nível de insulina, aumenta o nível de glicose e, com o tempo, isso irá culminar no diabetes tipo 2, atual principal fator de risco cardiovascular.

Dentre os demais componentes da Síndrome, estão hipertensão arterial, aumento dos níveis de triglicerídeos e colesterol “ruim” LDL e diminuição dos níveis de colesterol “bom” HDL. Também observamos aumento nos níveis de ácido úrico e do acúmulo de gordura no fígado, chamado de esteatose hepática, que pode evoluir para inflamação e cirrose. Todos estes são fatores relacionados ao aumento de doenças cardiovasculares. Segundo a Organização Mundial da Saúde, estas alterações metabólicas são responsáveis por mais de 63 % das mortes no mundo.

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/ Mais barriga, menos sexo: Fuja do Dad body

Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aponta que o homem brasileiro não só está mais barrigudo e sedentário como também desatento com a saúde. De acordo com essa pesquisa, 64% nunca realizaram exames para medir o nível de testosterona, 38% não tem o hábito de ir ao médico e 23% relacionam a obesidade ao envelhecimento.

O excesso de gordura acumulada no abdome não afeta apenas a questão estética, mas sua saúde sexual. Por ser ainda a responsável pela redução de testosterona, o que provoca desequilíbrio hormonal, sendo um dos fatores de risco para o surgimento de problemas como a falta de ereção, segundo João Pinheiro, médico clínico geral e especialista em obesidade.

E,aí? Vale a pena pular o treino de hoje?