David Nutt é um neuropsicofarmacologista inglês, e também conhecido no mundo científico por desenvolver pesquisas nada convencionais.

Dessa vez, Nutt inventou o Alscosynthuma, uma espécie de droga que literalmente imita o efeito do álcool, porém sem o indesejável efeito da ressaca pós-birita.

drunkA droga tem como alvo principal o cérebro. Ela faz com que a pessoa sinta exatamente o mesmo prazer que o álcool oferece, entre elas a euforia e a desinibição. E vai além. Ele afirma que a nova descoberta não causa em você efeitos como o desequilíbrio, agressividade, náuseas ou vômitos que normalmente uma pessoa embriagada apresenta. Parece bom, não é?

No entanto, ele também criou um antídoto, caso a pessoa queira bloquear essas sensações imediatamente, deixando o usuário apto a dirigir e não ser pego no bafômetro.

Ele explica que a novidade pode fazer com que a saúde no mundo sofra uma revolução, mas ele ainda precisa de subsídios do governo britânico ou empresas privadas para continuar as pesquisas. Nutt diz que a droga faria para o álcool o que o cigarro eletrônico faz para fumantes.

Para que o composto químico seja liberado, ele estima que precisará de uma verba de aproximadamente R$ 460 milhões. Já existem muitos investidores querendo oferecer ajuda a Nutt, para que ele continue com as pesquisas, mas devido à incerteza de como o governo se posicionará, nenhuma empresa ainda teve coragem de financiar o projeto.

O britânico pediu demissão do Conselho Consultivo sobre o Abuso de Drogas em 2009, após ter diferenças sobre a política no tema. Ele disse que o álcool mata em média 1,5 milhão de pessoas por ano e 10% dos bebedores tornam-se alcoólatras. O especialista ainda previu que os efeitos colaterais de beber, como perda de memória, poderiam ser contornados pela nova droga.

wolverineMas o grande medo do governo inglês é que a população tenha uma visão distorcida e não enxergue a droga como uma possível solução de cura a pessoas com vício de beber. E sim tenha uma visão de uma “cerveja sintética” que deixa o usuário sem ressaca e que venda a bebedeira como algo sem consequência ou culpa. Ou seja, ao invés de tornar a embriaguez menos comum, o governo está com medo do uso sem controle da pílula.

Graeme Archer, colunista do periódico inglês The Telegraph, diz que o risco é que as pessoas não controlem a ingestão da pílula. Se não há nenhum risco (de ressaca, de estar muito bêbado para dirigir), você tomaria só uma, ou engoliria mais e mais pílulas?”, questiona Archer em um dos artigos sobre a descoberta.

Pois é, enquanto a pílula não chega ao mercado muita gente ainda sentirá aquele gosto de cabo de guarda-chuva no dia seguinte de uma noite regada a álcool.