Algumas doenças atingem um determinado sexo com mais frequência do que outro. Por exemplo, o câncer de mama. É o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre mulheres: 22% dos novos casos a cada ano, de acordo com dados publicados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Mas isso não significa que você ou qualquer outro homem não possa desenvolver esta doença.  O Inca divulgou também que a cada cem casos em mulheres, há um caso em homens.

“Infelizmente ainda vivemos a imagem de que o câncer de mama atinge somente as mulheres, quando já se sabe – mesmo que em minoria – da possibilidade também aos homens. É necessário que as pessoas se conscientizem e propaguem conhecimento”, destaca Maria do Socorro Maciel, mastologista e coordenadora do Centro de Mama do Hospital Samaritano, em São Paulo.

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Entre as principais causas do câncer de mama em homens estão alterações genéticas e hormonais, além de alimentação rica em gordura, excesso de álcool. Outra doença tipicamente feminina que pode atingir você pelas mesmas razões acima? O câncer de tireoide.

O que é o câncer de tireoide?

A glândula tireoide está localizada na parte da frente do pescoço, logo abaixo da laringe (cordas vocais). Ela produz hormônios que regulam seu metabolismo, que é o processo de como o seu corpo usa e armazena sua energia. O câncer de tireoide ocorre quando tumores, também conhecidos como nódulos, crescem na tireoide. A maioria dos nódulos (cerca de 90%) são benignos (não-cancerosos), mas aqueles que são cancerosos podem espalhar por todo o corpo e colocar a vida em risco. Geralmente,  o câncer de tireoide é encontrado em cerca de 8% dos nódulos nos homens e em 4% dos nódulos em mulheres.

Um estudo publicado no periódico Clinical Thyroidology revelou que o gênero não é fator decisivo para o desenvolvimento do câncer na tiroide, porém os homens avaliados na pesquisa apresentaram estado mais avançado e agressivo da doença, talvez pela falta de acompanhamento médico ou até mesmo por conta das funções fisiológicas do organismo masculino.

A causa da maioria dos nódulos benignos não é conhecida. Alguns estudos apontam que o consumo de iodo em excesso leva ao aparecimento de nódulos, assim como a gravidez também aumenta as chances do surgimento em mulheres. “Nódulos na tireoide são agrupamentos de células que cresceram e podem virar cistos cheios de líquido ou nódulos sólidos – compostos por células da glândula tireoide”, explica Jorge Kim, médico especialista em cirurgia de cabeça e pescoço do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). As chances de desenvolver nódulos aumentam à medida que se envelhece. Embora os sintomas não sejam comuns, um nódulo grande pode, às vezes, causar rouquidão ou atrapalhar na deglutição ou respirar.

Em casos de nódulos, é importante visitar o médico a cada 6 a 12 meses para monitoramento. “Este acompanhamento envolve exame físico e ultrassonografia. Caso neste período seja detectado aumento do nódulo ou houver algum achado suspeito tanto no exame físico como na ultrassonografia, o médico deve avaliar se há necessidade de investigação com biópsia, que é realizada através de punção com uma agulha fina, ou, em alguns casos, é orientado, inclusive, a remoção cirúrgica”, afirma o especialista.

O tratamento depende do tipo de nódulo da tireoide. “A recomendação é de remoção cirúrgica da tireoide para nódulos cancerígenos ou suspeitos. Após a cirurgia, terapia com iodo radioativo pode ser usada para destruir quaisquer células tireoideanas remanescentes em caso de diagnóstico de alguns tipos de cânceres. A remoção também é indicada para outros tipos de nódulos, mesmo quando eles não são cancerígenos; geralmente quando são grandes, comprimem estruturas ao redor dela e causam problemas para engolir ou respirar”, diz.

Kim destaca que todos os nódulos da tireoide devem ser avaliados para afastar a possibilidade de serem câncer de tireoide e também a importância de fazer o acompanhamento adequado de acordo com cada caso. E se você acha que tem um nódulo de tireoide, consulte um endocrinologista (o especialista em condições relacionadas aos hormônios) para diagnóstico e tratamento.