A cachaça é a bebida mais brasileira que existe. Segundo historiadores e entendidos no assunto, o destilado teria surgido em Pernambuco quando um escravo, que trabalhava no engenho, deixou armazenada a cagaça (um caldo esverdeado e escuro que se forma durante a fervura do caldo da cana). Isso lá em 1 532. Hoje, 500 anos depois, a bebida é tratada como o vinho e a cerveja, harmoniza com pratos e eleva a categoria a outro nível, tendo especialistas no estilo: os chamados cachaciers.

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Cachaceiro profissional

A profissão de especialista em cachaça é nova e divide o expertise da bebida com os mestres alambiqueiros – aquelas pessoas que possuem alambiques e produzem cachaça, artesanal ou de larga escala. E, segundo Felipe Januzzi, idealizador do projeto Mapa da Cachaça (que mapeia os produtores de cachaça do Brasil) só existem 4 cachaciers no país e um deles é Isadora Fornari. “Primeiro de tudo, um sommelier é um profissional de bebidas e para ser um, é preciso ter contato com os clientes. Fora do salão, do restaurante, o cachacier é um consultor, um estudioso, profissional ou especialista em cachaças. Eu sou uma profissional de bebidas especializada em cachaça e estudiosa dela, dentre vários outros destilados”, explica a cachacier, especializada no tema pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). 

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Isadora Atua há 5 anos na área de bebidas. E, de acordo com ela, a cachaça recebe cada vez  destaque no cenário gastronômico nacional ao ser aplicada criativamente em pratos e criações. “A bebida oferece riqueza sensorial exclusiva do Brasil, um monodestilado único, cheio de personalidade, aromas e sabores derivados da cana, território, fermentação, destilação e madeiras”, explica.

Por isso, ela vem difundindo, ao lado de outros nomes do mercado, essa complexidade que o estilo oferece. A ideia é que o líquido seja cada vez mais explorado por chefs e bartenders no país. 

“O grande desafio está em mostrar às pessoas a beleza do Brasil líquido ainda desconhecido por muitos. O problema é que cachaceiro se tornou sinônimo de quem bebe, seja a bebida que for, com irresponsabilidade. É aí que está o problema”, completa.

Cacacheiro com orgulho

A sommelier brinca que não existe problema em chamá-la de cachaceira. “Isso já abre um sorriso ou uma surpresa que deriva uma conversa, é uma forma de introduzir o assunto a pessoas que tomam ou não cachaça. Explicar mais sobre a variedade de sabores e riqueza sensorial da cachaça de alambique.”

Isadora é especialista em entender o paladar das pessoas e ajudá-las a encontrar cachaças que entreguem o que elas apreciam. “Hoje a cachaça está recebendo mais atenção e as pessoas estão recebendo mais informação graças a diversos profissionais que, como eu, trazem a bebida no copo e no peito com orgulho”, defende.

“A cachaça sempre esteve em minha vida. Desde de pequena, meu pai sempre apreciou boas bebidas, e a caninha [um dos sinônimos] era uma delas. Quando me vi insatisfeita com o que estava oferecendo para o mundo com publicidade, percebi que só iria me sentir satisfeita profissionalmente quando encontrasse uma forma de ajudar a melhorar meu meio. E meu meio é o Brasil. A cachaça é uma forma de fazer as pessoas notarem nossa história, cultura, gastronomia, geografia, tradição, música através dos sentidos.

QUALIDADE ACIMA DE TUDO

Você já deve ter tido uma ressaca brava depois de beber todas, né? Isso pode ser por culpa da qualidade da bebida. Claro, a quantidade também influencia, mas aqui estamos falando de beber moderadamente. “Se a pessoa bebe uma cachaça de qualidade duvidosa e tem um dia seguinte terrível, normalmente põe a culpa na categoria toda e diz que odeia cachaça”, pontua.  “Queremos everter a imagem negativa que muitas pessoas tem resultante de uma experiência com cachaça de baixa qualidade, trazer informação e lucidez sobre esse universo é o mais importante.”

 

A cachacier brinca que cachaça é igual mulher (embora se aplique a homens também). “Você precisa saber escolher bem e tratar com respeito, senão pode tomar uma rasteira, acabar sem dinheiro ou com uma baita dor de cabeça.”

CACHAÇA + COMIDA

Para Isadora, cachaças brancas vão muito bem com peixes e frutos do mar. Já pratos com carnes em geral combinam muito com cachaças amadeiradas. “Por exemplo, porco com uma cachaça envelhecida em Amburana, carregando os aromas de canela e mel, que apresente boa acidez; boi e cordeiro com envelhecidas em bálsamo, que tem um caráter bem herbal, ficam fenomenais. Uma sobremesa com frutas e/ou chocolate fica ainda mais temperada com cachaças envelhecidas com baixa percepção de acidez e corpo mais licoroso”, sugere.

Por fim, a sommelier deixa o pensamento: “A cachaça é uma forma de ajudar as pessoas, principalmente brasileiros, a começarem a amar e cuidar do nosso país.”