Bebeu todas e perdeu a memória? Recupere-a bebendo mais

Depois de uma noite de bebedeira, você acorda de ressaca e quase não se lembra dos acontecimentos da noite passada. Calma, não é motivo para temer um problema maior (como Alzheimer).

Isso acontece porque o álcool atua diretamente no Sistema Nervoso Central (SNC) e apaga informações da memória. O esquecimento geralmente é sobre os fatos ocorridos durante a embriaguez. E aqui vai um alerta: quanto maior o teor alcoólico da bebida, maior a chance do blackout. Por isso, é mais comum você ter uma amnésia alcoólica quando bebe vodca, por exemplo.

Porém, a chave para lembrar tudo o que aconteceu enquanto você entornava o caneco pode ser beber mais. De acordo com Dean Burnett, neurocientista inglês e autor do livro Cérebro Idiota (em tradução livre), em situações muito pontuais, o álcool pode funcionar como um resgate de memória. Esse fenômeno, conhecido como estado específico de lembrança, funciona tanto para acontecimentos externos com para internos. Entenda assim: quando você perde as chaves do carro, qual é a primeira coisa que faz? Voltar ao local onde você esteve pela última vez.

/ outra bebedeira resgata a memória

Retomar os passos desde a saída do veículo traz à tona o local exato onde você depositou o objeto. Outro exemplo: quando você aprende algo em um momento de estresse, é mais comum relembrar aquele aprendizado quando está estressado novamente, por mais que a situação aconteça dias ou meses depois. É só pensar nas aulas mais chocantes durante a faculdade. Parece que ficam gravadas na mente, não é? Isso acontece porque a atividade cerebral de determinados acontecimentos resgata a memória quando são produzidas de novo.

Sim, o álcool afeta sua memória, mas só até certo ponto, segundo Burnett. “Vamos imaginar que você tenha ouvido de alguém uma fofoca ou confissão enquanto estava ligeiramente bêbado. Nesta situação, é como se o álcool enchesse seu cérebro de fumaça.

A informação fica criptografada e dificilmente você se lembrará depois de algumas latas de cerveja ou doses de vodca”, explica o neurocientista. A solução seria tomar umas em algum outro dia seguinte ao fato. Assim, o álcool seria capaz de destacar tudo aquilo que você ouviu e viu da última vez que estava embriagado.

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Essa hipótese foi publicada no livro de Burnett e extraída pelo jornal inglês The Guardian.

No entanto, o neurocientista explica que essa tese não é uma licença científica para chegar bêbado a uma prova ou reunião. Na verdade, nestas ocasiões, o álcool pode simplesmente prejudicá-lo. Invista no café, ao invés.

Bebidas estimulantes também alteram o SNC e funcionam assim como o álcool. Logo, você pode ativar a área responsável pela memória sem arriscar seu emprego ou perder aquela vaga que estudou tanto para conseguir.