Uma equipe de cientistas no Centro de Ciências para Saúde, da Universidade A&M (EUA), descobriu que quanto mais álcool você ingere, mais álcool seu cérebro estimula você a beber, fator que configura dependência química e, por consequência, o alcoolismo. Isso acontece porque a substância altera a forma como as informações são processadas por alguns neurônios específicos. Porém, a mesma equipe também constatou que existe uma forma de acabar com esse ciclo vicioso: um vírus geneticamente modificado.

Alcoolismo é doença

Tomar umas e outras, moderadamente, não é um problema. Nós, inclusive, já contamos que duas doses de bebida alcoólica por dia podem ser benéficas ao seu organismo. Porém, nem todo mundo controla a sede. Um relatório publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) expõe dados preocupantes: o Brasil é o quinto maior país das Américas em mortes por alcoolismo

Mais: um estudo realizado pelo Centro Estadual de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) descobriu que 50% dos pais de jovens que sofrem de alcoolismo também bebem, sugerindo que o vício possa ser um fator hereditário.

Como resolver esse quadro?

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/ O vírus contra o álcool 

Por mais que centenas de campanhas de conscientização sobre o consumo de álcool sejam feitas e mais outras milhares de medidas de saúde pública para diminuir o alcoolismo sejam tomadas, parece que a prevenção precisa de uma aliada. Estamos falando, claro, de uma cura para o alcoolismo. Mas para entender como interromper o vício por álcool é preciso descobrir como ele acontece.

 

 

Alcoolismo

No infográfico acima, você pode acompanhar como o álcool é metabolizado pelo organismo. Em especial, vamos destacar a relação da substância com o cérebro.

Existe uma parte da sua massa cinzenta chamada de corpo estriado ventral. Nela, estão dois tipos de neurônios conhecidos como D1 e D2. Eles possuem grande quantidade de receptores de dopamina (neurotransmissor responsável, entre outras coisas, pela sensação de prazer), maior até do que outras partes do cérebro. De acordo com Yifeng Cheng e Jun Wang, da equipe cientifica que estuda o alcoolismo, o neurônio D1 promove algumas ações, enquanto o D2 puxa o freio.

Quando você come um doce ou pratica esportes, por exemplo, seu organismo produz dopamina, captada pelo neurônio D1 que incentiva você a continuar o que está fazendo. Quando a dopamina acaba, é hora do D2 entrar em ação. O que o álcool faz é sabotar esse equilíbrio. Imagine uma semáforo que só possui a luz verde. É mais ou menos assim.

Os cientistas, então, desenvolveram um tipo de vírus geneticamente modificado que produz uma reação química no corpo estriado ventral e permite alterar a reação do neurônio D1 ou D2. Isso poderia frear a ação do álcool e, por fim, acabar com o alcoolismo. Os resultados significativos foram obtidos em experimento com “ratos alcoólatras”, que diminuíram o “consumo de álcool”, portanto. É curioso dizer isso, mas já oferece uma luz ao fim do túnel da questão. Claro, os responsáveis pela pesquisa disseram que reproduzir esse processo em seres humanos ainda é um desafio, mas quem sabe futuramente…