Há mais coisas entre um gemido e outro do que pode imaginar nossa vã ilusão de tesão.

Há uma cena no filme Harry e Sally – Feitos um para o outro (Columbia Pictures, 1989) em que Sally, personagem da atriz Meg Ryan, mostra como é fácil fingir um orgasmo. Isso, claro, na mesa de um dinning americano. Enquanto questiona Harry (Billy Crystal) sobre como ele sabe se as mulheres se satisfazem na cama, ela demonstra, entre mordidas e sarcasmos, como um homem é facilmente enganado pela expressão feminina. Evidentemente, Harry fica com cara de tacho, como muitos de nós. 

Por mais que os gritos e gemidos cortem o quarto escuro e soem como música aos seus ouvidos, a verdade é que a trilha sonora feminina na hora do sexo esconde uma verdade difícil de ser engolida por muitos homens: nós somos, talvez, incapazes de dar prazer a uma mulher. Trabalho publicado no Archives of Sexual Behavior mostra que as mulheres fingem o orgasmo para “manipular” você. Pesquisadores da Universidade de Leeds (Inglaterra) entrevistaram 71 mulheres entre 18 e 48 anos para entender esse comportamento sexual. O questionário incluía uma série de vocalizações como gemidos, gritos, palavras como “isso”, “sim”, o nome do parceiro, comandos como “continua”, “mais forte”, “não para” e até mesmo um silêncio sepucral. Os pesquisadores também questionaram a razão pela qual cada mulher usa essas expressões, em qual contexto, se tiveram ou não orgasmo, em qual momento ele aconteceu e por que fazem desta ou daquela maneira.

Eis que a verdade apareceu: as mulheres têm esse comportamento como forma de influenciar o companheiro, muito mais do que como expressão de prazer sexual.

/ Fingir orgasmo acelera o processo

Na pesquisa, os autores Gayle Brewer e Colin Hendrie traduziram o fingimento do orgasmo, mediante os resultados do estudo, como forma de acelerar o clímax masculino por conta de tédio, desconforto, cansaço ou algum tipo de limitação física e mental. Na verdade, o que os cientistas revelaram é que os sons emitidos durante o sexo não significam que a mulher está em um “descontrole de prazer”. Por outro lado, quando ela está mais excitada, por exemplo, durante o sexo oral, em que seria mais capaz de atingir o orgasmo, qualquer som é dispensável.  Em muitos casos, como defende o trabalho, as garotas só estão sendo gentis. 

“É importante pontuar que 92% das participantes do estudo revelaram que esses gritos ou incentivos dão um up na autoestima do cara”, justificou Brewer. 

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Além dos 80% que admitiram fingir um orgasmo durante o sexo, Brewer identificou ainda que 25% das mulheres têm esse comportamento quase sempre que transam. Já 90% delas adotaram a estratégia no momento em que perceberam que não estavam na vibe do tesão. Os autores aliviam: o que o estudo prova é que as mulheres assumem essa postura porque os homens entendem que o sexo só está sendo prazeroso se a mulher, de fato, atingir o orgasmo, o que nem sempre acontece.

Outro estudo, dessa vez realizado em 2009 e publicado no Journal of Sex Research sugere que tanto homens quanto mulheres tendem a assumir papéis entre lençóis. Charlene Muehlenhard, professora de psicologia clínica na University do Kansas (EUA) e autora deste trabalho, fornece os detalhes: “Há essa ideia que a função do homem é fazer a mulher gozar e que o orgasmo dela é prova do bom trabalho masculino.”

Para Charlene, apesar de ser muito menos comum, os homens também fingem o orgasmo. Na mesma pesquisa, ela descobriu que 36% dos caras fingiram ter chegado lá pelo menos uma vez. Para a psicóloga, esse comportamento tem origem evolucionária. “Todos somos criaturas biológicas e, apesar de ser difícil de explicar, essa reação de fazer sons durante o sexo pode ser percebido mesmo nos animais”, diz.

Uma curiosa investigação na publicação Proceedings of the Royal Society mostra que até mesmo algumas espécies de primatas são condicionadas aos sons das fêmeas durante o coito. Nela, foi reparado que os machos não completam a ejaculação se as fêmeas não fizerem determinados sons.

É claro que este tipo de reforço positivo tem um ponto negativo. Charlene alerta que, ao fingir um orgasmo por meio dos comandos de voz, a mulher pode mascarar dor ou desconforto, o que passaria uma mensagem errada ao parceiro. Cheio de confiança, você pode achar que o sexo foi tão bom e intenso que precisa ser repetido da mesma forma na próxima vez, desviando assim, a necessidade de ajustar preliminares e outras coisas que fazem com que a transa seja boa não só para você, mas para ela também. 

Independente se os gritos dela fazem com que você se sinta uma máquina do sexo.