5 fatos científicos sobre ter filhos muito tarde que você precisa saber

BRUNO ACIOLI

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que as mulheres brasileiras (e, por consequência, os homens) resolveram esperar um pouco mais para engravidar. A ciência mostra que essa decisão tem um lado positivo… assim como negativo. 

A pesquisa revela que, entre 2007 e 2017, houve um aumento de 36% no índice de mulheres que decidiram ser mães após os 30 anos, além de diversos outros números que apontam para uma espera no tema maternidade. E, diferente do que dita a cultura popular, a idade pode ser um problema muito maior para os homens do que para as mulheres na hora de gerar um herdeiro. Estudo publicado na revista Nature demonstrou que um pai de 20 anos transmite em média 25 mutações genéticas ao filho, enquanto aos 40 anos, esse número passa a ser 65. Augustine Kong, pesquisador do instituto deCODE Genetics e autor do estudo, comentou que, na maioria das vezes, isso não é maléfico, embora possam causar prejuízos ao indivíduo. “Naturalmente, as mulheres mais velhas começam a transmitir mais mutações. Mas essa taxa não vai aumentando proporcionalmente, com o passar dos anos, ao contrário do que acontece entre os homens”, explicou Kong ao divulgar o trabalho. Essa análise sugere que a influência da idade paterna é maior do que a materna na saúde dos filhos e pode, em determinados casos, ter relação com distúrbios como esquizofrenia, transtorno bipolar e autismo.  

Outros trabalhos científicos ao longo dos anos têm mostrado o impacto na saúde dos filhos ao decidir por tê-los cada vez mais tarde. Aqui, vamos mostrar cinco desles. 

/ nascimento de risco

Estudo realizado durante 10 anos pela Universidade Stanford (EUA) aponta que bebês de pais mais velhos podem ter problemas para ganhar peso e tamanho durante a gestação, fatores decisivos para um nascimento sem riscos. Bebês de homens acima de 45 anos estão 14% mais propensos – segundo a pesquisa – a nascerem prematuros. Se o pai estiver na faixa dos 50, essa porcentagem sobe para 28%. 

/ MAIS INTELIGENTES

A paternidade tardia pode gerar filhos com QI mais alto, capazes de ter mais foco e não se preocuparem tanto com rótulos. Os cientistas acreditam que tudo isso esteja relacionado a maturidade do pai, que são mais presentes, pacientes e acolhedores quando mais velhos. Os dados foram publicados no periódico Translational Psychiatry.

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/DISTÚRBIOS PSICOLÓGICOS

Diversos estudos têm alertado que depressão, transtorno obssessivo-compulsivo e esquizofrenia podem ter origem na idade do progenitor. Contudo, há uma controvérsia na comunidade científica acerca dessas informações, que podem, de acordo com alguns, ser consideradas exageradas e alarmistas. O consenso é que filhos de pais mais jovens tendem a ser mais saudáveis mentalmente, mesmo que aqueles gerados por homens mais velhos não tenham nenhuma das condições acima citadas. 

/RISCO DE AUTISMO

No mesmo movimento do item anterior, diversos cientístas têm relatado proximidade entre o que eles chamam de paternidade tardia (em geral, acima dos 40 anos) com autismo. Alguns trabalhos, como este publicado pela revista Nature, apresentam um índice de 28% maior de ter filhos com algum grau de autismo aos 40 e 66% aos 50 anos. Eles acreditam que o envelhecimento dos espermatozoides seja um fator de relevância nessa questão.

/ELES VIVERÃO MAIS!

E, para não dizer que não falamos de flores, no frigir dos ovos, você terá filhos que viverão mais. O tal envelhecimento de espermatozoides, para cientistas da Universidade Harvard (EUA), pode gerar herdeiros que tenham telômeros (extremidades dos cromossos) mais longos:  são responsáveis por proteger o DNA. Esse fator está ligado à longevidade, já que com o tempo eles tendem a encurtar, o que pode facilitar o surgimento de algumas doenças.