O amor é lindo, mas nem tudo são flores quando o assunto é relacionamento a dois. Uma pesquisa inédita realizada pela Fundação Nacional do Sono (EUA) aqui no Brasil aponta que cada vez mais casais dormem em camas separadas por conta de distúrbios do sono. E uma das principais motivações é o ronco. Seja seu ou da sua companheira.

/ Distúrbios do sono e divórcios

Só para você ter noção, nos EUA o número de casais dormindo em camas separadas em 2001 era 12%, foi para 23% em 2005 e a previsão é de que agora em 2015 esse número chegue a 40%. Entre as principais motivações para os casais dormirem em camas separadas: 43% alegou hábitos noturnos diferentes (como horário de dormir e assistir televisão na cama), 36% o ronco do parceiro e 20% preferência de dormir sozinho.

De acordo com Fernanda Camargo, especialista em sono e diretora do Centro de Referência do Sono, de São Paulo, pesquisas mostram que casais que dormem juntos tendem a ter 50% mais chances de apresentar distúrbios do sono. “A verdade é que dividir a cama acaba, muitas vezes, resultando em dividir um quadro clínico de problemas para dormir. O processo é cíclico: se você tem apneia do sono e ronca, por exemplo, acabará causando dificuldade para sua parceira dormir”, diz Fernanda. “As noites de sono mal dormidas podem causar uma série de problemas como doenças do coração, hipertensão, depressão, acidentes de trabalho e até divórcio.”

Um estudo realizado na Inglaterra mostrou que num universo de 500 homens, 30% afirmaram que o ronco prejudica as relações sexuais e 46,4% sentiam vergonha por roncar. “No Brasil não é muito diferente, pois em média um terço das pessoas admite ter tido problemas no relacionamento por causa do ronco e outros distúrbios do sono. A apneia não tratada pode causar disfunção erétil e impotência, por isso os problemas do distúrbio para o casal podem ir muito além da dificuldade para dormir por conta do ronco”, relata a especialista.

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4 dicas práticas para parar de roncar

CONTROLE O PESO

O tecido adiposo, entre outros lugares, pode se acumular na região do pescoço e pressionar a glote. Isso interrompe o fluxo de ar na sua garganta e faz com que você ronque.

EVITE O ÁLCOOL ANTES DE DORMIR

A substância também faz com que a musculatura relaxe mais interrompendo sua respiração.

DURMA DE LADO

Quando você dorme de barriga para cima, a língua relaxa e também interrompe o fluxo de ar.

ABANDONE O CIGARRO

Fumar causa irritação em toda o trato respiratório. Isso aumenta a produção de catarro e congestiona as vias nasais. E, combinemos, é difícil respirar quando tudo está entupido, não?

Para Augusto Colen Carrasco, fisioterapeuta cardiorrespiratório do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo, o ronco geralmente é um sintoma de que algo não vai bem e precisa ser tratado. “Estima-se que a apneia obstrutiva do sono acomete mais de 30% da população só em São Paulo, com incidência maior em homens e pessoas obesas. Esse, que é um entre muitos distúrbios do sono, faz com que você tenha paradas repetidas da respiração por alguns segundos durante a noite e emita ruídos barulhentos. Se não tratado, o distúrbio pode causar doenças sérias como hipertensão, doenças cardíacas e depressão”, explica.

Carrasco aponta ainda que o primeiro passo que você deve tomar – caso ronque – é fazer um diagnóstico do problema. “Frequentemente, recebemos e-mails de nossos pacientes com relatos de como o tratamento da apneia ajudou a salvar o casamento. O diagnóstico é simples, feito apor meio da polissonografia [exame que mensura a gravidade da doença e ajuda na determinação do tratamento]. Em caso de confirmação do diagnóstico, o tratamento mais indicado é o uso do aparelho Cpap, uma máscara que joga ar na garganta para que ela se mantenha aberta durante o sono e não emita som.”

Então, se você ou sua parceira apresenta algum dos distúrbios do sono acima exemplificados, não jogue para escanteio. Procure um diagnóstico e tratamento o mais rápido possível para evitar consequências para o casal.