Aparentemente, aquela vibe young, wild & free dos homens solteiros é pura pose. Quem curte mesmo a solteirice é a mulherada. 

De acordo com uma pesquisa conduzida pela empresa de metadata Mintel, 61% das mulheres solteiras estão felizes assim, enquanto 49% dos homens sentem a mesma satisfação com a solteirice. A razão, segundo os especialistas, é muito simples: em um relacionamento sério, as mulheres se esforçam muito mais do que os homens para aquilo dar certo. 

Em entrevista ao periódico The Telegraph, Emily Grundy, especialista em ciências populacionais na Universidade Essex (Reino Unido), comentou que a pesquisa revela uma nova quebra de paradigmas, de que as mulheres não estão tão interessadas em namoro ou casamento. Isso porque são elas que passam muito mais tempo em tarefas domésticas, fator que gera uma carga mental muito grande.  Em contrapartida, no mesmo trabalho, 25% das solteiras estão à procura de solteiros.  

A carga mental de gerenciar uma casa é tema recorrente nos debates sobre papéis a serem desempenhados em um relacionamento. Esses, no final das contas, ficam na maior parte do tempo com elas. O trabalho quase invisível e não remunerado prejudica, inclusive, a saúde física das mulheres, principalmente se há filhos envolvidos. Em 2019, a marca Procter & Gamble promoveu uma pesquisa na Espanha para identificar esse padrão de comportamento. Segundo os resultados, 3 em cada 4 mulheres sofrem de carga mental, sendo que 40% delas sequer entendiam o significado disso. Vale lembrar que além de todo esse trabalho imputado a uma mulher, ainda há o trabalho fora de casa, carreira – que muitas vezes fica de lado – atividades físicas e lazer. Com tanta preocupação com o lar, essas questões são inevitavelmente dispensadas.

Os números não são diferentes no Brasil. Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) com 800 mulheres descobriu que somente 39% delas acreditam que a divisão das tarefas domésticas é feita de maneira igualitária. É preciso mudar esse cenário. 

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/ Solteiros sim, casados nunca!

Com tantos pontos negativos para elas quando o assunto é casamento, não é de se espantar que a preferência seja a solteirice. Afinal, haja dor de cabeça! Estudo britânico constatou que mais de 50% das mulheres solteiras do Reino Unido não estão preocupadas com casamento. E aqui vai um dado ruim: os homens investem somente de 30% a 40% do que recebem no lar, ao contrário das mulheres, que injetam quase toda a grana que ganham dentro de casa. Não é à toa que o casamento seja muito melhor para os solteiros do que para as solteiras.

Um trabalho conduzido pela Universidade College (Inglaterra) apontou que homens casados são mais saudáveis do que os solteiros, ao contrário das mulheres casadas, quando comparadas às mulheres solteiras. Segundo os cientistas, homens solteiros sofrem mais negativos efeitos de saúde do que as mulheres solteiras. 

// A felicidade delas está longe do casamento

Para Paul Dolan, cientista comportamental da Escola de Economia de Londres (Inglaterra), o estigma da mulher casada e feliz já está ultrapassado e precisa ser superado. Em entrevista ao The Guardian, Dolan revelou ter feito uma revisão de pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre felicidade e casamento. Na análise do cientista, o casamento é mais saudável e feliz para os solteiros, mas não para as solteiras. “Os homens se arriscam menos quando estão casados e relatam ser mais saudáveis, mas do outro lado isso não é igual. Identificamos que as mulheres de meia-idade casadas têm mais problemas físicos e mentais do que as solteiras.”

O relato do especialista é reforçado por investigação sobre sucesso feminino e divórcio, publicada no American Economic Journal. Johanna Rickne, professora da Universidade de Estocolmo (Suécia) e coautora da pesquisa, reparou que as chances para alcançar melhores empregos afetavam a probabilidade de divórcio para cada gênero de maneira diferente.  Mulheres casadas tinham duas vezes mais propensão a se divorciarem nos anos seguintes à progressão nas carreiras do que os homens. 

Na conclusão, Rickne pontua que, mesmo com as politicas igualitárias promovidas pela Suécia, há essa sugestão de que os divórcios sejam ocasionados possivelmente por conflitos no casamento quando a mulher modifica a divisão dos papeis econômicos e sociais de um lar, já que precisa passar mais tempo na empresa e menos com tarefas domésticas ou em lazer com o marido.

Certas são elas.