Depois de Noé (Paramount Pictures, 2014), você pode até ter razão em ser reticente quanto a outro filme inspirado em obras bíblicas. Porém, vale dar uma segunda chance e apostar no novo longa-metragem dirigido pelo aclamado Ridley Scott (Alien, Blade Runner, Gladiador). A estreia nas bilheterias americanas rolou no último fim de semana com arrecadação de US$ 24,5 milhões, o que garantiu o topo do ranking nas salas de cinema por lá. Aqui, o filme entra em cartaz no dia 25 de dezembro, mas a partir de quinta-feira (18), é possível adquirir ingressos para a pré-estreia em algumas redes de cinema. Nós conferimos a produção. Leia tudo sobre ela a seguir!

Mitos abaixo

Baseada nos relatos do Livro do Êxodo e em pergaminhos egípcios, a narrativa conta a história de Moisés (Christian Bale), príncipe egípcio, primo de consideração do ganancioso Ramsés (Joel Edgerton), herdeiro direto ao trono do faraó. Na saga, Moisés estava tranquilão na função de general do exército de Seti (John Torturro) até que descobre ser de uma família de hebreus e não da realeza. A partir daí, é expulso da capital Mênfis assim que o patriarca do país morre, passa um tempo no deserto, vira criador de cabras, se casa e retorna para libertar o povo dele depois de bater um papo com Deus (representado por um garoto) no Monte Sinai. Tudo isso, nove anos após Ramsés assumir o comando do Império Antigo e expulsá-lo por conta da origem hebraica. É o retorno do filho pródigo!

Segundo a bíblia, Deus usa Moisés para proferir as ordens de libertação dos hebreus, que eram escravos dos egípcios há mais de 400 anos. O faraó, então, ao negar o solene pedido, recebe 10 pragas como forma de pressão, entre elas o rio Nilo tingido de sangue, uma invasão de sapos, nuvens de insetos e tantos gafanhotos que escureceram o céu. Até aí, nenhuma novidade. No entanto, Ridley Scott, que comandou outros filmes épicos, como Cruzada (FOX Filmes, 2005) e Robin Hood (Universal Pictures, 2010), faz questão de passar uma experiência extra-sensorial para quem o assiste. Não à toa, as desgraças que assolam o povo de Ramsés são situacionais: diferente dos fatos inexplicáveis que propõe a religião, no longa, a água é ensanguentada por ataques de crocodilos a pescadores do Nilo, que despertam também a eclosão dos sapos, que invadem a cidade e, por falta de água, morrem. Isso atrai moscas, que espalham a peste negra… E por aí vai. Não existe ponto sem nó, tudo tem causa e efeito. Claro, comandado pela vontade Divina! Porém, esse também é o ponto fraco do filme.

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A cena mais aguardada deveria ser a abertura do Mar Vermelho, mas isso nem chega a ser citado. A água do oceano simplesmente escoa, sabe-se lá para onde. Talvez, Scott tenha se valido de algumas teorias históricas que dizem que, naquela época, a região sofria de uma seca muito forte. Tudo bem, os efeitos visuais são sensacionais e a sonora é impressionante, mas é categórico: queríamos um vovô com cajado dividindo o mar ao meio! Em seguida, uma tempestade se encarrega de preencher o vazio atravessado por Moisés e o povo dele, numa levada meio escola de samba no limite do desfile, sabe? Aquele corre-corre, contra o relógio, enquanto a onda não chega. Aliás, outra coisa que deixou faltar explicação é a questão do tempo em que os hebreus vagaram até chegar a Canaã, a terra prometida. Isso se chegaram! Moisés, ao final do filme, já em posse das tábuas dos mandamentos, aparece já bem velho e aparentemente cego, mas nenhuma menção ao tempo de peregrinação foi feito. Inclusive, o longa de Scott trata o tema com quase a mesma semelhança que faz a animação O príncipe do Egito (DreamWorks, 1998).

Grandes nomes, pequenas falas

O que não se pode negar é o peso do elenco aqui: os protagonistas já citados, o brilhante Ben Kingsley (A lista de Schindler, A.I. – Inteligência Artificial), a eterna Alien Sigourney Weaver, Aarol Paul (Need For Speed, Breaking Bad), Ben Mendelsohn (Batman – O cavaleiro das trevas ressurge) e John Turturro (A herança de Mr. Deeds, A janela secreta). Mesmo que Bale e Edgerton roubem a cena por uma questão óbvia de roteiro, os personagens secundários são muito pouco explorados, por vezes aparecem e desaparecem sem muita expressão ou importância para a construção dos fatos.

Polêmicas e mais polêmicas

Como todo (bom) filme épico-bíblico, não poderiam faltar as confusões. Talvez a mais preocupante seja sobre usarem atores brancos para interpretar povos egípcios e vizinhos mais próximos. Quanto a isso, Rupert Murdoch, presidente da Fox, se explicou via Twitter: “O filme sobre Moisés está sendo atacado por ter um elenco branco. Desde quando os egípcios não são brancos? Todos os que eu conheço são”. A defesa veio depois de uma hashtag que sugeria o boicote ao filme ficar entre as mais citadas. O diretor Ridley Scott também se pronunciou e defendeu, via redes sociais, que atores menos conhecidos não seriam capaz de atrair a injeção financeira necessária para realizar o longa. E disse ainda ao portal Yahoo que há muitas teorias diferentes sobre a etnia do povo egípcio e a tentativa foi de representar essa diversidade ao máximo.

Seja pela história, seja pelo diretor, seja pelo elenco, vale o ingresso. Abaixo, você confere algumas cenas do filme.