Cerca de 62% das indústrias esperam um fim de ano mais fraco, mas ainda há esperança

Para os empregados que atuam sob o regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), junto com o fim do ano chega o 13º salário. Alívio para uns, aflição para outros. Segundo pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), um terço das empresas brasileiras usará financiamentos de bancos para pagar seus funcionários. Isto porque, segundo as indústrias consultadas, este ano foi fraco, principalmente para as de menor porte, com até 99 empregados.

“Esta preocupação e desconforto ocorre principalmente para aqueles que não fizeram um planejamento e um controle antecipado”, explica André Miotto, sócio-diretor da AMX Soluções em Gestão Integrada. Mas ainda há esperança. Segundo o consultor, aproveitar o aumento expressivo de vendas no fim do ano, com oportunidades como a Black Friday e o Natal, pode ser a solução. “Recorrer a empréstimos bancários deve ser a última cartada. Com os juros nas alturas, pedir dinheiro emprestado é uma loucura hoje em dia”, explica o consultor. “Para isso não acontecer mais ou ainda correr atrás do prejuízo, saliento que ainda dá tempo de juntar uma reserva, nem que seja para a segunda parcela”, completa.

O consultor de negócios pondera sobre o alto custo da realização de empréstimos e levanta que na maioria das vezes, os gestores não incluem o gasto com financiamentos na formação de preço de venda de seus produtos e serviços, reduzindo o lucro até o ponto em que chegam ao prejuízo.

O ideal é se planejar, criando um fundo de reserva para este tipo de custo, mas o percentual de empresas que conseguiram fazer isso é o menor em seis anos, segundo a Fiesp. Menos da metade (45,7%) das indústrias pretende utilizar recursos provisionados ao longo do ano para quitar o 13º.

Para o ano que vem, tome nota: “crie um fluxo de caixa para o 13º, de modo que ele seja inserido no cotidiano das estratégias e ações dos responsáveis financeiros contábeis e para a formação de preços dos produtos. A maneira mais segura é reservar neste fundo, todo mês, 1/12 da remuneração de cada colaborador, tornando-o um custo fixo, para quando chegar a hora, não haver desespero e nem surpresas”, aconselha André Miotto.