X-Men: Fênix Negra: FOX passa o bastão de maneira decepcionante

BRUNO ACIOLI, publisher

Não sei se o Universo Marvel nos deixou mal acostumados em relação ao que esperar de (mais) uma adaptação dos quadrinhos para o cinema, mas parece que a FOX tem um dom parar errar no que entrega, como acontece em X-Men: Fênix Negra.

É difícil descer a guilhotina em um filme até que muito aguardado como X-Men: Fênix Negra, mas a FOX não ajuda. Em um ano de grandes lançamentos como Vingadores: Ultimato (que já chegou na casa dos dois bilhões em vendas de ingressos), que sacramenta mais um sucesso dos Estúdios Marvel ao encerrar uma saga de 20 filmes interligados e 10 anos de produção, os produtores de X-Men: Fênix Negra (e de toda a saga de mutantes, para ser sincero) parece não entender a importância de uma história bem contada e de uma espinha dorsal que estruture todos os filmes de modo que não sobrem pontas soltas.

Isso para não falar sobre o desenvolvimento de personagens, que deixa muito a desejar com a pouco aproveitada presença e ( força) de Magneto (Michael Fassbender). Mas vamos por partes porque o incômodo é grande.

/ X-Men: Fênix Negra na linha do tempo

Uma vez que a personagem Jean Grey, possuída pela entidade Fênix Negra, já foi apresentada em outro contexto, tanto na cronologia da franquia quanto em décadas para nós, X-Men: Fênix Negra deveria se tratar de um remake, mas não é. Eu explico. Os primeiros três filmes que narram as lutas dos mutantes (X-Men – O Filme, X-Men 2 e X-Men 3: Confronto Final) não tiveram muito por onde seguir, já que o terceiro episódio desta saga (lançado em 2006) resolveu dar cabo de todo mundo e colocar o consagrado Wolverine de Hugh Jackman como carrasco da Fênix Negra daquela época.

Só para fins de comparação, Homem de Ferro, produzido pela Marvel em parceria com a Paramount, foi lançando em 2008 – e apresentaria o que hoje conhecemos como Vingadores.

Voltando. Como a primeira Fênix Negra havia sido eliminada, o que restou foi contar o começo de Charles Xavier, a origem do conflito entre humanos e mutantes, algo que não havia sido feito em nenhum dos três filmes até então. Eis que surge X-Men – First Class. Um filme muito mais interessante em questão de produção do que os antecessores (se desconsiderarmos o hype que foi o primeiro X-Men). Ambientado em 1962 (guarde essa data), apresentou a, como o título diz, primeira classe dos X-Men.

Em seguida, estreiou X-Men: Dias de um futuro esquecido. Mais uma produção interessante, que deveria ser a continuação de First Class, mas acaba sendo também uma continuação de Confronto Final. E isso é importante para o desenrolar de Fênix Negra. Nesta estória, ambientada em 2023, a raça mutante é exterminada. Wolverine, então, viaja a 1973 para impedir o curso da tragédia, mudar o passado e acabar por também alterar o curso da linha do tempo.

Assim sendo, X-Men: Fênix Negra habita um estranho lugar (nos anos 90, no caso) entre recontar a história da protagonista de X-Men 3 e, ao mesmo tempo, o desenrolar de X-Men: Apocalipse, que se passa na década de 80.

// Trocaram a roda com o carro em movimento

O diretor Simon Kinberg (Sr. & Sra. Smith) descreveu Fênix Negra como um natural encerramento da saga X-Men, mas aparentemente não foi algo tão natural assim. James McAvoy (Fragmentado) revelou que a plot do fime sofreu alterações de roteiro, com delay no lançamento do filme e até mesmo regravações em cima da hora. Talvez seja por conta da aquisição da FOX pela Disney, com novas diretrizes para o futuro dos mutantes ou então pelo novo patamar de heroína estabelecido por Capitã Marvel, que acabou por estrear antes de Fênix Negra.

 A sensação que dá é de que o longa tem um encerramento abrupto, que não leva a lugar nenhum. A proposta de uma grande vilã é apagada por uma também mal aproveitada e inexpressiva personagem alienígena chama Vuk, interpretada por Jessica Chastain (A hora mais escura). 

Quer receber mais conteúdos como este?
Inscreva-se abaixo. Nada de spam!

/// O Futuro dos X-Men

Assim como acontece em Vingadores: Ultimato, X-Men: Fênix Negra marca o fim de um ciclo de 6 filmes, mesmo que apresente duas linhas de tempo totalmente diferentes. E, portanto, não espere cenas pós-créditos que revelem continuidade. 

Por não apresentar novos mutantes (talvez um ou outro) e pela falta de espaço para grandes performances dos já conhecidos, resta esperar que, sob o comando de Kevin Fage e os talentos dos Estúdios Marvel, a franquia seja melhor trabalhada, com fio condutor que explique com mais qualidade o sucesso de público nos quadrinhos e desenhos. Quem sabe, também, integrado ao universo de Vingadores, Homem-Aranha e outros heróis consagrados, tenhamos mais satisfação ao ver os mutantes na telona. 

Vale lembrar que um novo nome deve ser apresentado para o papel de Wolverine (fala-se muito de Tom hardy para essa missão), mas não veremos nada pelos próximos quatro anos, até então.

Uma pena.