Trabalho fisicamente desgastante, hipertensão e consumo de diversos medicamentos estão entre os fatores que podem diminuir a qualidade do esperma, tornando você e outros homens menos férteis, segundo estudo publicado no jornal Fertility and Sterility (EUA).

O estudo foi realizado com 456 homens de 32 anos em média, do Texas (EUA) e de Michigan (EUA), que estavam em relacionamentos sérios e que haviam parado o uso de contraceptivos. 77% (a maioria) era branca e mais da metade nunca tinham engravidado uma mulher.

O espermograma (análise do sêmen) revelou que 13% dos homens que se desgastavam fisicamente no trabalho tinham baixa contagem de espermatozoides comparado aos 6% que não se esforçavam no quesito força física. Outros fatores, como calor, ruído ou tempo sentado, pareceu não afetar a qualidade do sêmen.

“Como a compreensão dos mecanismos que levam à infertilidade masculina é ainda muito limitada, este achado pode contribuir para a prevenção e tratamento da doença”, alerta Daher Chade, urologista do Instituto do Câncer de São Paulo (Inca) e do Hospital Sírio Libanês.

Hipertensão também atrapalha

Os homens que foram diagnosticados com hipertensão também tiveram baixa porcentagem de espermatozoides em comparação com aqueles que possuem a pressão normal. Ainda segundo a pesquisa, futuras investigações precisam averiguar se é a própria doença ou o tratamento dela que está conduzindo a esta tendência.

O estudo, apesar de apontar as associações entre vários fatores e a baixa fertilidade, não prova a relação de causa e efeito. Como os homens estão tendo filhos mais tarde, é ainda mais importante voltar a explorar as doenças que até então se pensava que não estavam relacionadas à fertilidade.

Os pesquisadores também descobriram que os homens que tomam muitos medicamentos estão mais suscetíveis a terem menor contagem de espermatozoides. A contagem normal está entre 40 milhões e 300 milhões, sendo que 15% dos homens que tomam dois ou mais medicamentos tiveram contagem abaixo de 39 milhões.

A boa notícia é que se for confirmado que esses fatores possuem efeitos negativos na fertilidade masculina, é possível reverter essa situação com cuidados médicos ou mudando certos comportamentos no trabalho.

Especialistas no segmento afirmam que esse novo estudo é importante para você se orientar a respeito do assunto. Se você está enfrentando problemas para engravidar sua parceira, seria interessante cuidar das questões ocupacionais e de sua saúde. Fazer mudanças de estilo de vida para combater a hipertensão ou reduzir a quantidade de trabalho pesado poderia ajudar no caminho para a paternidade.

Doenças como diabetes, obesidade e síndrome metabólica estão previamente associadas a baixa qualidade do sêmen. Com esse novo estudo, pode-se acrescentar a hipertensão à lista.

A chave dessa mensagem é que os fatores do estilo de vida, bem como as atividades e a alimentação, podem desempenhar um papel importante na fertilidade dos homens.

“Apesar de fatores de risco comportamentais, como esses descritos no estudo, poderem participar no desenvolvimento da infertilidade, este é um problema multifatorial que deve ser sempre investigado de forma ampla”, finaliza Chade.