Maconha pode proteger seu fígado contra os prejuízos do álcool 

BRUNO ACIOLI

A notícia é positiva, mas não significa que você deva misturar maconha com álcool. 

Você sabe que consumir bebidas alcoólicas em excesso é perigoso para sua saúde. Isso porque, de acordo com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), em longo prazo, o álcool é responsável pelo aparecimento de diversas doenças, principalmente no fígado, como hepatite, cirrose, esteatose e  câncer de fígado. Além, é claro, dos prejuízos resultantes da ingestão de birita em curto prazo, como perda momentânea do estado de alerta, depressão do sistema neurológico, confusão mental, etc, que podem – em determinadas situações, deixa-lo vulnerável a acidentes (como ligar para a ex durante a balada). 

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), não existe um padrão de consumo de álcool seguro e livre de riscos, apesar da entidade recomendar que o consumo moderado e leve seria o de duas doses de bebida por dia, respeitando ao menos dois dias de intervalo em uma semana e não ultrapassando este limite. Ao mesmo tempo, a literatura médica já aponta alguns prejuízos do consumo excessivo de maconha para o organismo. Aqui, vamos mostrar o que a ciência tem de novidade sobre o assunto.

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/ Álcool e maconha

Com o crescente movimento de legalização de maconha ao redor do mundo, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa Cientifica da Universidade do Quebec (Canadá) resolveram investigar a relação do consumo de bebidas alcoólicas com o hábito de fumar cannabis. Cerca de 320 mil pacientes que consomem álcool em excesso tiveram os históricos revisados para descobrir quais deles (e em qual quantia) fumavam maconha. O objetivo era entender como as duas substâncias impactavam a saúde do fígado e se elas traçavam algum paralelo ou interação entre si. 

De acordo com os resultados obtidos nessa revisão, pessoas que não fumam maconha têm cerca de 90% de chance de desenvolver doença hepática, enquanto fumantes de maconha (que consumiram álcool em excesso no mesmo período), tiveram somente 8%. E essa expectativa diminui para 1.36% quando o consumo de maconha se torna maior, sugerindo que quanto mais uso de cannabis, maior é a defesa do organismo referente aos danos do consumo exagerado de bebidas alcoólicas. 

“Descobrimos que, se as pessoas estão usando maconha de um modo dependente, elas estão mais protegidas de doenças hepáticas alcoólicas”, contou Terence Bukong, hepatologista e líder do estudo, em entrevista a Vice americana.

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Outro estudo, dessa vez publicado em 2017 no periódico Plos One, reforçou essa tese, quando mais de 8 mil indivíduos que fumam maconha com frequência tiveram menor prevalência de doença no fígado.

A principal argumentação dos especialistas é que as substâncias presentes na planta impactam positivamente o nível de insulina no organismo, que pode proteger o fígado de doenças hepáticas, já que essas condições estão associadas à resistência ao hormônio, que resultam em acúmulo de gordura no órgão, o que compromete a metabolização da glicose e, consequentemente, prejuízos à saúde. 

O próprio corpo humano possui receptores de canabinóides, conhecidos como CB-1 e CB-2, encontrados inclusive no fígado. O órgão atua como um processador de quase tudo que é ingerido por você (incluíndo a maconha) e inflamações no fígado (que podem ser causadas por dezenas de fatores) são o cenário ideal para o desenvolvimento de doenças hepáticas.

Trabalho publicado no PubMed demonstra que a cannabis possui função antiinflamatória e, por isso, a relação de defesa possa ser cogitada desta forma. Contudo, Bukong afirma que não é possível traçar um mecanismo exato do equilíbrio resultante do benefício terapêutico da maconha frente aos prejuízos causados pelo consumo em excesso de álcool, sendo um efeito que precisa de mais investigação.